Faltando poucos dias para o segundo turno das eleições, o Brasil vive um cenário de guerra de narrativas nas redes sociais, mas que também ganha espaço nos altares das igrejas. O Evangelho tem dado lugar à debates políticos, manifestações de apoio a candidatos e disputas ideológicas.

Lideranças religiosas têm usado o altar sagrado para defender bandeiras políticas e ideológicas. Ainda tem aqueles com uso de textos sagrados comparam o candidato preferido à Cristo e o adversário ao Diabo, buscando manipular os fiéis e atendendo interesses políticos. Por sua vez, fiéis na fragilidade da sua própria consciência acabam sendo vítimas da deturpação da palavra de Deus.
Nesse cenário, existe um questionamento que deve ser levado em consideração: será que Jesus Cristo está sendo novamente crucificado em nome de interesses humanos? A frase, de caráter simbólico, provoca uma reflexão sobre a relação entre fé, política e poder. A crucificação de Jesus, segundo a tradição cristã, representa o sacrifício, o amor ao próximo, o perdão e a entrega pela humanidade.
Entretanto, quando o nome de Cristo é utilizado para atacar adversários, alimentar divisões ou justificar discursos de ódio, surge um contraste entre a mensagem do Evangelho e determinadas atitudes praticadas em seu nome. A política é parte importante da vida em sociedade. Discutir propostas, avaliar candidatos e participar das eleições são atitudes legítimas de cidadania. Líderes religiosos e fiéis também têm o direito de expressar suas opiniões. O desafio está em preservar a liberdade de consciência, respeitar as diferentes escolhas eleitorais e evitar que a fé seja utilizada como instrumento de pressão ou manipulação.
Jesus ensinou o amor ao próximo e, no Evangelho de Mateus, apresentou o mandamento de amar até mesmo os inimigos. Essa mensagem convida os cristãos a refletirem sobre a maneira como tratam aqueles que pensam de forma diferente, inclusive nas disputas políticas. Uma igreja deve ser um espaço de acolhimento,oração, esperança e fraternidade. Isso não significa que os cristãos devam permanecer indiferentes aos problemas sociais, mas que sua participação na vida pública seja orientada por princípios éticos, respeito e compromisso com o bem comum. Quando os interesses eleitorais ocupam o lugar do amor, da solidariedade e do respeito, que espaço sobra para a mensagem de Jesus?
Talvez a maior contradição não esteja em discutir política dentro ou fora das igrejas, mas em defender Cristo com palavras e ao mesmo tempo, agir contra os valores que ele ensinou. Mais do que perguntar de que lado Jesus estaria nas eleições, vale perguntar se as nossas atitudes estão de acordo com aquilo que elepregou. Jesus não precisa ser usado como bandeira de campanha, mas sua mensagem precisa ser vivida no cotidiano, nas relações humanas e, sobretudo, na capacidade de respeitar e amar o próximo, mesmo quando existem diferenças de opinião.
















