Barragem em Congonhas é pauta de reunião pública

A barragem Casa de Pedra, da CSN, em Congonhas, foi pauta de uma reunião pública na noite dessa segunda-feira (11/02) no Ginásio do Dom Oscar. O encontro, que reuniu cerca de 1000 pessoas, contou com a presença de representantes da Câmara dos Deputados, do Ministério Público Federal, da prefeitura, de representantes da Igreja, dos Movimentos dos Atingidos por Barragem (MAB),  lideranças locais e  moradores dos Bairros Residencial, Cristo Reis e adjacentes.

Para o pároco de Nossa Senhora da Conceição, em Congonhas, padre Paulo Barbosa, o encontro mostrou a força dos movimentos populares da cidade. “A quadra estava lotada. Conseguimos reunir pessoas que moram perto da barragem, representantes públicos, várias lideranças, além de pessoas de Brumadinho e Jeceaba”, disse.

Ao longo da conversa, os presentes destacaram o acompanhamento da Câmara dos Deputados e do Ministério Público Federal, a elaboração do plano de segurança imediato, do plano de alocação provisória até a extinção da barragem e plano de segurança para os trabalhadores. No final, duas propostas foram definidas como as principais ações: realização de uma audiência pública pela Câmara Municipal e retirada dos moradores que vivem ao entorno da Barragem Casa de Pedra.

Segundo o presidente da Associação do Bairro Residencial, Warlei  Ferreira, a audiência pública é fundamental diante da falta de respostas da empresa. “Queremos um posicionamento da empresa sobre a situação da barragem, a recolocação dos moradores e o atendimento e assistência às comunidades. Não temos informação sobre a barragem. A empresa não conversa com a comunidade. Infelizmente, não existe diálogo com o povo de Congonhas”, disse. 

Ele acrescentou, também, a  importante da população participar dos debates. “Estamos nessa luta há 10 anos e precisamos do apoio dos moradores de Congonhas para conseguirmos resultados mais positivos”, finalizou.

Situação da Barragem

A mobilização em Congonhas é fruto do medo do rompimento de uma barragem de quase 100 milhões de m³ de rejeitos, classificada como de alto risco. Além dessa, o município de aproximadamente 54 mil habitantes, conta com outras 23 barragens.

O diretor de Meio Ambiente e Saúde da União de Associações Comunitárias de Congonhas (Unaccon), Sandoval de Souza Pinto Filho, afirmou que o maior fator de risco da barragem da CSN é o posicionamento geográfico e a forma de ampliação que a estrutura recebeu ao longo dos anos. Segundo ele, são centenas de casas ao redor da estrutura. “Temos uma barragem de grande porte na zona urbana. Em linha reta, as casas estão a 250m da barragem. Em caso de rompimento, boa parte de Congonhas corre risco”, disse.

Em resposta aos questionamento do Ministério Público, sobre o processo de fechamento do completo Casa de Pedra, também chamado de “descomissionamento”, a CSN informou que o projeto do plano diretor de rejeito da mina para descaracterização e descomissionamento das barragens de rejeitos está em elaboração e atenderá toda a legislação. Sobre a segurança, a mineradora disse que dentro da área da barragem e de sua estrutura há fiscalização das equipes de gerência de segurança patrimonial.

Fonte: Departamento Arquidiocesano de Comunicação