No lombo de mulas, goiano viaja 500 km pela Estrada Real e elogia a hospitalidade congonhense

Contemplar as belas paisagens montanhosas de Minas Gerais pela Estrada Real tendo como companheiras de viagem duas mulas. Esta tem sido a rotina do ex-advogado goiano Paulo Leão, de 56 anos que chamou a atenção de muita gente chegando a Congonhas com seus animais no início desta semana. Professor universitário por mais de 25 anos, há cerca de cinco anos ele resolveu trocar a rotina da capital por uma vida mais tranquila e simples em Itapaci, no norte de Goiás.

O fazendeiro gosta do contato com a natureza e com os animais e, depois de fazer a pé o caminho de São Tiago de Compostela, na Espanha, resolveu percorrer a Estrada Real, trilhando o mesmo roteiro que fizeram os antigos tropeiros que movimentaram a economia e a sociedade mineira nos séculos 18 e 19.

A aventura começou no dia 02 de maio em Diamantina e, desde então o ex-advogado, já percorreu cerca de 500km. Sem veículos de apoio, o aventureiro está percorrendo agora o Caminho Velho da Estrada Real que liga as cidades de Ouro Preto à Paraty e em cada cidade conta com o apoio dos moradores que oferecem pousada para ele e para os animais.

Ao longo da jornada, Paulo Leão vai colecionando amizades e memórias. Em cada cidade ele costuma ficar dois dias que é o tempo para conhecer os pontos turísticos, permitir que os animais se recuperem e ainda experimentar aquela cervejinha nos bares das cidades. E na sua passagem pela cidade dos profetas, não foi diferente. Mas aqui ele fez questão de elogiar uma característica do povo congonhense: a hospitalidade.

“O povo mineiro é o povo mais gentil do mundo. Eles nos levam para dentro de suas casas e nos oferecem de tudo, inclusive a coisa mais difícil de se conseguir: a amizade. Eu não conhecia Congonhas. Quando você chega por baixo e vê aquela igreja maravilhosa, isso mexe com o coração da gente. A Basílica aqui é muito linda. Adorei toda a bagagem histórica que o Aleijadinho deixou aqui, mas o que mais me encantou foi a simpatia das pessoas. O povo é acolhedor e recebe e trata a gente com muito carinho. Vou chegar em Goiás e fazer um churrasco e convidar todos os mineiros que conheci”, brincou o viajante.

Ainda sobre o encantamento com a receptividade do povo de Congonhas ele contou que quando foi comprar ração para os animais, perguntou a um rapaz se a cidade possuía serviço de transporte via aplicativo. O rapaz conhecido como “Cássio mecânico” ofereceu carona para ele em sua moto e ainda cortou capim e trouxe para alimentar os animais dele. “Vocês são tão gentis. Nunca vi uma pessoa fazer isso por alguém desconhecido”, enfatizou.

No alvorecer da terça-feira, 10/05, o viajante seguiu viagem com destino a São Brás do Suaçui. As próximas paradas acontecem em Entre Rios, Casa Grande, Lagoa Dourada, Prados, Tiradentes e São João del-Rei. A viagem até o destino final deve durar cerca de 100 dias e a chegada, em Paraty, no estado do Rio de Janeiro, está prevista para o dia 30 de junho. Ao todo serão 1.100km de percurso.

Em Congonhas, a acolhida ao viajante, se deu na Chácara do Zé Rosa, no Recanto das Andorinhas e aconteceu através de uma rede de contatos onde um fazendeiro faz contato com outro fazendeiro conhecido (a popular “Rádio Peão”). A chácara costuma receber romeiros que visitam o Santuário do Bom Jesus no lombo de animais e outros viajantes. As acolhidas acontecem desde 2009, ano em que teve início o movimento dos muladeiros de Congonhas que organizam, desde 2011, viagens à cavalo até o Santuário de Aparecida, no interior de São Paulo.

A Chácara fica na Rua Maria de Paula Reis, nº 8, Recanto das Andorinhas (Estrada do Alto Maranhão). Viajantes da Estrada Real e romeiros podem entrar em contato pelo telefone (31) 99742-4348.