Morre o padre José Luciano Jacques Penido aos 103 anos

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Morreu nesta sexta-feira, 9/1, aos 103 anos, o padre José Luciano Jacques Penido, C.Ss.R. Natural de Belo Vale, o religioso era o Missionário Redentorista mais velho da Província Nossa Senhora Aparecida. Segundo nota oficial da província, o padre Penido como era conhecido faleceu por volta das 18h, na Comunidade Santo Afonso (Tijuca, Rio de Janeiro), local onde residia.

Arquivo Pessoal

O velório está sendo realizado neste sábado até às 22h, na igreja de Santo Afonso, localizada na Tijuca (RJ). As Missas de Exéquias estão programadas para as 11h, 15h e 18h. o sepultamento será neste domingo 11/1, no Cemitério Provincial Nossa Senhora da Glória, em Juiz de Fora (MG), após a missa no velório, que será celebrada às 11h.

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Exemplo de longevidade e lucidez, padre Penido deixa um legado de perseverança e entrega a Deus, com 78 anos de sacerdócio e 83 de consagração religiosa. 

Arquivo Pessoal

Biografia

José Luciano Jacques Penido nasceu em Belo Vale (MG), no dia 18 de outubro de 1922, de uma família de 13 irmãos; Luciano Penido é gêmeo com o seu irmão Paulo. Seus pais chamavam-se Henrique Marques da Silveira Penido e Maria José Jacques Penido. Foi batizado no dia 28 de janeiro de 1923, na Paróquia São Gonçalo.

Pe Penido, o 1º da esquerda para a direita, junto com a primeira comunidade do Seminário da Floresta

Desde pequeno sonhava em ser sacerdote. Na sua infância brincava de fazer pregações das homilias que ouvia nas missas de domingo. Conheceu os missionários redentoristas através das Santas Missões em sua cidade. Padre Atanásio, grande missionário, visitou a casa de seus pais e disse: “esse menino será um redentorista”.

Ingressou no Seminário Redentorista, em Congonhas (MG), aos 11 anos. Em 1941, foi realizar a etapa do noviciado, no Seminário da Floresta, em Juiz de Fora (MG), e professou os Votos Religiosos temporários, na Congregação do Santíssimo Redentor, no dia 02 de fevereiro de 1942. No mesmo ano, foi residir no Seminário Santa Teresinha, em Tietê (SP), para cursar a filosofia de 1942 a 1943; e teologia de 1944 a 1946.

Ao concluir os estudos, retornou para o Seminário da Floresta, e perpetuou os votos religiosos, em 14 de fevereiro de 1946, e foi ordenado diácono, no dia 06 de dezembro do mesmo ano. Sua ordenação presbiteral ocorreu no dia 20 de julho de 1947, na Paróquia São José, em Belo Horizonte (MG), tendo como bispo ordenante Dom Antônio dos Santos Cabral, o primeiro arcebispo da capital de Minas Gerais.

O padre Penido, como era chamado entre seus confrades, residiu em diversas Comunidades da ex-Província do RJ. Morou na cidade de Congonhas, de 1948 a 1954; e 1956 a 1958, nesse tempo foi professor e formador no Seminário, ocupou o cargo de diretor da Rádio de Congonhas, e exerceu a função de pároco por um triênio. No ano de 1955, foi transferido para Campos dos Goytacazes (RJ), para ajudar na pastoral do Santuário de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro. Em 1959 a 1961, residiu na Paróquia Santo Afonso – bairro da Tijuca (RJ), no atendimento aos paroquianos. Padre Penido foi eleito Superior Provincial da antiga Província do Rio de Janeiro, por dois triênios, de 1962 a 1967, e passou a residir na Comunidade Nossa Senhora da Glória, em Juiz de Fora.

O seu mandato ocorreu durante o início de um período complexo para a Província. Algumas casas precisaram ser fechadas, no entanto, padre Penido inaugurou o Juniorato em Três Pontas (MG), e viu o Santuário de São Geraldo, em Curvelo (MG), ser elevado à dignidade de Basílica Menor.

Durante o Capítulo Geral Ad Experimentum (adaptação das novas Constituições), da Congregação Redentorista de 1967, em Roma, tomou a decisão de renunciar ao cargo de Provincial. De dezembro de 1967 a 1969, passou a residir em Roma, e realizou dois cursos: Moral na Academia Alfonsiana e Jornalismo na Universidade Internacional PRO DEO, e durante sua estadia na Casa Geral, cooperou como Consultor Doméstico, nesse período exerceu por dois anos a função de vice-diretor da Rádio Vaticana.

De volta ao Brasil, compôs a Comunidade da Basílica de São Geraldo, em Curvelo, e foi professor na Faculdade de Curvelo e coordenador de pastoral da Arquidiocese de Diamantina (MG), de 1970 a 1973. Desde 1975, o padre Penido residia no Rio de Janeiro, na Comunidade Santo Afonso, localizado no bairro da Tijuca. Ele era muito querido pelos paroquianos que o consideravam um sacerdote de grande coração, solícito, gentil, humilde e carinhoso com as pessoas.

Como dirigente espiritual à frente de diversas pastorais, orientava os fiéis com zelo e testemunho missionário, sempre à luz do carisma Redentorista. Em 2022, por ocasião de seu centésimo aniversário natalício, recebeu a bênção apostólica enviada pelo Papa Francisco, e uma carta do Superior Geral Redentorista, padre Rogério Gomes, felicitando-o e agradecendo-o a vida dedicada à Congregação.

Padre Penido possuía uma voz forte, suas pregações eram tocantes; homem de coração bondoso, caridoso e dinâmico na vida missionária. Ele fundou o Museu do Escravo, na cidade de Belo Vale, uma Instituição única no país. Possui um dos mais importantes acervos com peças referentes à escravatura brasileira, luta e resistência dos povos africanos que foram escravizados no Brasil ao longo de 358 anos.

Fonte: Site A12.com.br

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