Satélite desenvolvido em Minas Gerais é lançado ao espaço na Índia

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Minas Gerais deu um passo importante rumo ao espaço. Na madrugada desta segunda-feira, 12 de janeiro, o UaiSat, satélite que integrou a missão MGSAT-1, foi lançado a bordo do foguete PSLV-C62, da Agência Espacial Indiana (ISRO). O lançamento ocorreu a partir do Centro Espacial Satish Dhawan, em Sriharikota, às 10h17 no horário local da Índia (1h47 em Brasília).

UaiSat-divulgação

No Brasil, o lançamento foi acompanhado pela Uai Soluções e Integração, empresa incubada no Ouro Hub, ambiente de inovação do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Minas Gerais (IFMG) – Campus Ouro Branco. Especializada no desenvolvimento e na integração de placas de circuito impresso, a empresa participou da construção do satélite e atuaria em seu monitoramento em órbita durante quatro anos. No entanto, embora o lançamento inicial tenha começado sem problemas, houve uma anomalia no final do terceiro estágio, fazendo com que o foguete perdesse o controle e os satélites não fossem implantados na órbita correta. Cerca de 10 minutos após a decolagem, o veículo retornou à atmosfera sem conseguir concluir o que estava previsto. A transmissão do lançamento pode ser assistida no YouTube.

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UaiSat-divulgação

Segundo o líder da missão, João Pedro Polito, a experiência representa um avanço significativo. “A missão nos ensinou muito. Em dois anos, conseguimos desenvolver, lançar e levar nosso satélite ao espaço. Mesmo não estando com o satélite em órbita, a estação de rastreio e controle está montada, vamos operar com outros satélites”, afirmou. Ele destaca ainda que o projeto consolida a atuação do grupo no setor espacial brasileiro. “O que temos construído em termos de tecnologia tem nos posicionado como player nacional na construção de satélites”, avalia. A meta é lançar 12 satélites nos próximos três anos. Até o fim de 2026, está previsto o lançamento do Profeta 1.

O projeto entra para a história como o primeiro satélite totalmente projetado em solo mineiro e o primeiro PocketQube (nanossatélite ultracompacto de baixo custo e alto valor tecnológico) construído por uma universidade brasileira a chegar à órbita. O UaiSat foi desenvolvido no Laboratório Integrado de Sistemas Espaciais (LISE), da Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ) – Campus Alto Paraopeba. Com apenas 5 cm x 5 cm, o nanossatélite concentra tecnologias voltadas à pesquisa científica, à inovação e a aplicações práticas com potencial impacto econômico.

UaiSat-divulgação

A equipe do projeto é formada pelos professores Marcos Kakitani e Moacir Souza, do curso de Engenharia de Telecomunicações, além dos pesquisadores e estudantes João Pedro Polito, Hikari Beatriz, Paulo Dutra e Antônio Salvador.

Rumo ao espaço

A missão MGSAT-1 conecta a universidade e o setor produtivo. Entre os objetivos estão o apoio ao agronegócio, por meio da coleta de dados para monitoramento e otimização de processos no campo; o monitoramento climático, com sensores dedicados ao estudo de raios e tempestades em parceria com o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE); e a validação de hardware e software em ambiente espacial, fortalecendo a autonomia tecnológica brasileira.

O caminho até o lançamento envolveu uma longa sequência de testes e certificações. A montagem do satélite foi concluída em agosto de 2024. Em janeiro de 2025, o UaiSat foi entregue em Brasília para os trâmites iniciais de logística espacial. Nos meses de maio e junho, passou por verificações de rádio e testes de qualificação para suportar as condições extremas do lançamento. Em dezembro, seguiu para a Índia, onde realizou testes finais no início de janeiro de 2026, antes de ser integrado ao foguete, concluindo os preparativos para o voo.

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