O resultado das eleições de 2026 deixa uma situação politicamente importante para Conselheiro Lafaiete: a cidade teve candidatos competitivos, conseguiu produzir votações expressivas, mas não conseguiu transformar essa força eleitoral local em representação própria na Assembleia Legislativa ou na Câmara dos Deputados.

Os números mostram que o principal problema foi a dispersão dos votos e a dificuldade de transformar uma votação concentrada na cidade em uma votação regional suficiente para vencer o sistema proporcional. Conselheiro Lafaiete chegou à eleição com seis candidaturas locais sendo quatro para deputado federal e duas para deputado estadual. A pulverização do eleitorado seria um dos principais desafios dos candidatos. Entre os federais, Erivelton Sonho de Rua foi o mais votado em Lafaiete, com 18.961 votos na cidade e soma total 22.241. Entretanto, outros candidatos de fora também tiveram votações expressivas, como Nikolas Ferreira, com 17.015, e Samuel Viana, com 3.387.
Na disputa estadual, Glaycon Franco liderou em Lafaiete, com 19.443 votos, chagando a marca total de 39.502. Damires Rinarlly somou na cidade 12.863 e no total 19.360 votos. Esse cenário mostra que para deputado estadual ou federal, não basta ser o mais votado dentro da própria cidade. A eleição é proporcional e leva em consideração o desempenho dos partidos e federações em todo o Estado.
Enquanto os candidatos locais dependiam principalmente da força construída em Conselheiro Lafaiete, candidatos de outras regiões chegaram à cidade com estruturas políticas estaduais. Doorgal Andrada, por exemplo, recebeu 4.618 votos em Lafaiete e foi eleito deputado estadual. Samuel Viana recebeu 3.387 votos na cidade e também conseguiu a eleição para deputado federal. A candidata mais nova de Mians Gerais a se elegeer deputada federal, Ana Elisa (PT) conquistou 3.152 votos na cidade. Duda Salabert (Psol) com 2.081 votos e e Lohanna com 1.558 que tiveram apoio de Damiris Rinarlly também foi eleitas à Câmara Federal.
Isso demonstra que uma votação menor em Lafaiete pode ser suficiente quando o candidato possui uma máquina eleitoral ou uma rede de apoios distribuída por diversas cidades de Minas. É justamente aí que está uma das maiores dificuldades das candidaturas locais. A cidade não conseguiu formar um consenso político. Outro fator foi a ausência de uma candidatura que conseguisse reunir diferentes grupos políticos em torno de um único nome. Isso é democrático, mas eleitoralmente produz um efeito: os votos locais se fragmentam.
O resultado foi que Lafaiete teve candidatos com milhares de votos, mas nenhum deles atingiu a combinação necessária de votação individual e desempenho partidário para conquistar uma cadeira. O sistema proporcional prejudica a lógica de “ser o mais votado da cidade. Esse ponto precisa ser muito bem explicado à população.
A eleição para deputado não funciona como uma eleição municipal. Não é: “Quem tiver mais votos em Conselheiro Lafaiete ganha.” O candidato precisa fazer parte de um partido ou federação que obtenha votos suficientes para conquistar cadeiras. Depois, essas cadeiras são preenchidas pelos candidatos daquela legenda conforme as regras do sistema proporcional.Por isso, um candidato pode ter uma votação expressiva em uma cidade e perder para outro que conseguiu uma votação mais distribuída pelo Estado.
Na eleição deste ano, houve também uma forte influência de candidatos de projeção estadual e nacional. Isso mostrou que o eleitorado de Lafaiete não votou exclusivamente em candidatos da cidade. Nikolas Ferreira, por exemplo, teve 17.015 votos para deputado federal em Lafaiete e foi eleito. Outros candidatos de fora também obtiveram votação suficiente na cidade para contribuir para suas eleições.
Isso revela uma questão política importante: o eleitor lafaietense ainda não necessariamente considera a eleição de um representante local como prioridade absoluta. Há espaço para votos ideológicos, votos por identificação nacional, votos por amizade, votos por indicação de lideranças e votos por estrutura partidária.
A lição política para a próxima eleição é que o resultado de 2026 deveria provocar uma discussão em Conselheiro Lafaiete: a cidade quer apenas ter candidatos ou quer eleger um deputado? E existe uma contradição que merece ser debatida: Lafaiete deu milhares de votos para candidatos de fora e ajudou a eleger deputados que não moram na cidade, enquanto os candidatos locais receberam dezenas de milhares de votos, mas ficaram sem mandato.
Isso não significa que o eleitor esteja errado. Significa que as lideranças locais precisam compreender melhor como funciona a eleição proporcional e construir, com antecedência, uma candidatura capaz de ultrapassar os limites do município. A eleição de 2026 deixa, portanto, um recado claro: Lafaiete tem votos para eleger deputado. O que ainda não conseguiu construir foi uma estratégia política capaz de transformar esses votos em uma cadeira.

















