A saúde pública de Conselheiro Lafaiete voltou ao centro das cobranças na Câmara Municipal. Durante a Palavra Franca da sessão ordinária de 20 de outubro de 2026, o vereador Erivelton Jayme fez um pronunciamento contundente sobre os problemas enfrentados por pacientes e profissionais da rede de saúde, apontando possíveis atrasos nos repasses hospitalares, pendências no pagamento de plantões médicos e dificuldades de acesso a consultas nos postos do município.

O alerta do parlamentar é direto: quando faltam recursos, médicos e capacidade de atendimento, quem paga a conta é a população. Erivelton citou os hospitais Queluz, São Vicente e São Camilo, além da Maternidade São José, ao abordar relatos de pendências nos repasses financeiros destinados às instituições. O vereador também apontou possíveis atrasos no pagamento de plantões médicos e de determinados incentivos estaduais e federais, incluindo recursos vinculados ao FAEC e ao incentivo de ginecologia e obstetrícia.
A preocupação é que a falta de regularização dos pagamentos comprometa a prestação dos serviços. Sem receber pelos plantões, médicos podem deixar de atender, colocando em risco a continuidade da assistência e ampliando a pressão sobre uma rede que precisa garantir atendimento de urgência e procedimentos eletivos. A cobrança é por respostas concretas: quais valores estão pendentes, quais instituições foram afetadas e quando os pagamentos serão regularizados?
Se a situação dos hospitais preocupa, os relatos sobre os postos de saúde revelam dificuldades que atingem diretamente quem precisa de atendimento no dia a dia. Na unidade Santa Matilde II, segundo o relato levado pelo vereador à tribuna, pacientes estariam conseguindo agendar consultas apenas para o final do ano. Nas unidades dos bairros Santa Efigênia e São Gonçalo, Erivelton relatou que o número de atendimentos diários seria insuficiente para atender à demanda da população.
Já no Santa Cruz II, o parlamentar denunciou a distribuição de fichas durante a madrugada, situação que expõe moradores à espera prolongada apenas para tentar conseguir uma consulta. A crítica é contundente: não é aceitável que o cidadão precise passar a madrugada esperando por uma ficha para ter acesso a um serviço básico de saúde.
Outro problema apontado pelo vereador envolve a unidade de saúde do Amaro Ribeiro. Conforme o relato apresentado na sessão, o posto estaria sem médico e sem previsão de retorno do profissional. A falta de atendimento médico próximo de casa obriga moradores a buscar alternativas em outras unidades, podendo aumentar a demanda sobre serviços que já enfrentam dificuldades.
Para quem depende exclusivamente do SUS, a ausência de um profissional pode significar mais espera, deslocamentos e incerteza justamente quando o atendimento é necessário.
“A população não pode continuar pagando essa conta”
O pronunciamento de Erivelton Jayme coloca em evidência questões que exigem esclarecimentos e providências do Poder Executivo: a situação dos repasses aos hospitais, os pagamentos devidos aos profissionais e as condições de funcionamento das unidades básicas de saúde.
O vereador cobra que a Prefeitura esclareça as pendências financeiras, informe os prazos para regularização e apresente medidas efetivas para resolver os problemas relatados nos postos.
Mais do que números ou questões administrativas, a discussão envolve pessoas que aguardam consultas, famílias que precisam de atendimento e profissionais que dependem de condições adequadas para exercer seu trabalho.
A saúde pública não pode funcionar na base da espera, da incerteza e da falta de respostas. A população de Conselheiro Lafaiete precisa de atendimento digno, médicos disponíveis e uma rede de saúde que funcione quando o cidadão mais precisa.
















