Lama, luto e luta!

Foram 19 mortos cujas lembranças evocam a história de vida, comunidade, família e o futuro que se tornou incerto. Cremos na Ressurreição, mas a vida é eterna, única e irrepetível. Os mortos pela lama criminosa da Vale/ BHP Billiton, através da Samarco Mineração, não voltarão a viver aqui na peregrinação. Sua vida foi ceifada.

Resta a fé na esperança da eternidade feliz, uma vez que o tempo presente é de sofrimento para seus familiares, amigos e para a comunidade simples e piedosa. Mas, importante também é sua história continuada na luta pelos que sobreviveram. Esses agora anseiam por um novo Bento, uma vez que o original não existe mais. Também se diga de Barra Longa e outros.

40 milhões de m³ de lama de rejeitos minerários arrasaram o Bento Rodrigues e se estenderam pelas comunidades, cidades e chegaram ao mar pelo Rio Doce que ficou amargo. Peixes, fauna e vidas destruídas sofreram o impacto do maior crime ambiental. Consequências até hoje se somam às incertezas do presente e do que virá.

Nas cidades, os atingidos sofreram e ainda padecem do preconceito, do “bulling” de simplesmente terem sido rejeitados pela lama criminosa e pela lama do descaso e esquecimento.Onde encontrar força, esperança e condições de sobreviver? Nenhuma casa foi construída até hoje e fica a dor do que se perdeu e a indagação de como será depois de tudo!

A força do povo está na luta organizada por direitos, como prioriza o MAB (Movimento dos Atingidos nas Barragens). São Paulo, na carta aos romanos 12,12, exorta a que todos sejam alegres por causa da esperança, fortes nas tribulações e perseverantes na oração. Lama e luto se misturam.

Por Padre Paulo Barbosa – Colaborador do site de notícias Lafaiete Agora.

Fotos: Departamento Arquidiocesano de Comunicação

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