Mineração: um desafio constante

A expansão minerária é avassaladora. É empreendimento que lucra milhões, bilhões em cifras reais e de outras moedas. O comprometimento com o meio ambiente e humano é gritante devido à poluição do ar, das águas e da terra. Há pouco tempo, uma mineradora em Congonhas queria destruir toda uma serra com promessa alvissareira de emprego, bem estar e dividendos econômicos. Contudo, seriam destruídas 29 nascentes, além do prejuízo florestal, ambiental e risco à população. Não fosse um grande movimento de defesa da serra Casa de Pedra, hoje, os Congonhenses estariam buscando água suja no Rio Maranhão, no Rio Santo Antônio ou no Córrego das Goiabeiras, também altamente poluídos.

Como pode uma empresa pensar no crescimento de suas cifras financeiras em detrimento da vida? A omissão e a conivência de autoridades políticas e governamentais, em todos os níveis e patamares, colocam em risco a vida do povo! Daí vêm as licitações para os projetos minerários, não obstante as reservas ambientais e indígenas.

Convivemos com o paradoxo do desenvolvimento econômico à custa da dizimação da vida e da criação como um todo. O colonialismo moderno neoliberal se torna predatório, espoliativo e consumista. A pressão das grandes mineradoras e corporações visam à lucratividade infinda e aos negócios escusos. As cidades, a sociedade e o estado convivem na subalternidade e dependência para sobreviverem.

A Igreja, os movimentos sociais e populares têm um grande papel na aproximação e na conscientização das comunidades, bairros e povos atingidos pelo expansionismo minerário dos tempos atuais. A saúde, o bem viver e o futuro das populações estão em jogo e comprometidos e as consequências nefastas se imaginam e já estão ocorrendo pelas degradações e impactos cada vez mais constantes!

Padre Paulo Barbosa – Diretor do Departamento de Comunicação da Arquidiocese de Mariana e colaborador do site Lafaiete Agora