Doutor Domingos Marinho de Azevedo Americano, um médico de Queluz para o Brasil

Era Queluz, ano de 1813. Em 12 de fevereiro do corrente ano, em São Caetano do Paraopeba, nasceu Domingos Marinho de Azevedo Americano. Filho de José Marinho de Azevedo e de Anna Rosa da Cunha Azevedo. Domingos Marinho iniciou seus estudos no Seminário de Congonhas, em seguida, transferiu-se para o Colégio Caraça. Em 15 de dezembro de 1838, na Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro, doutorou-se em Medicina, quando defendeu a tese intitulada “Dissertação sobre a Phrenologia”.

Um ano depois, em 29/05/1839, foi nomeado professor substituto da seção cirúrgica da Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro. No ano 1840, por determinação da Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro, viajou para França em missão científica e retornou ao Brasil somente em 1844. Em seu regresso ao País, teve como companhia de viagem o Frei Camilo de Monteserrat, filólogo, futuro Diretor da Biblioteca Nacional e Paleógrafo Honorário do Arquivo por Decreto Imperial de 05 de julho de 1854.

Entre os anos de 1850 e 1851 foi empossado como professor catedrático (à época, o cargo era chamado de “Lente” – do legente, “que lê”) de partos, de doenças de mulheres puérperas e de bebês recém-nascidos, também na mesma Instituição. Nessa viagem de volta, Dr. Domingos veio também acompanhado pelo senhor Baptiste-Louis, que seria editor de grandes escritores brasileiros como Machado de Assis, José de Alencar, Joaquim Manoel de Macedo, Gonçalves de Magalhães, Araújo Porto Alegre, Aluísio de Azevedo, Olavo Bilac, dentre outros. Tão logo retornou ao Brasil, Doutor Domingos publicou a “Memória sobre o estado actual das instituições médicas em França, na Prussia e na Grã- Bretanha”.

Durante o ano de 1844, na Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro realizou um curso especial sobre doenças do pulmão. Dois após, Doutor Domingos publicou as “lições” sobre esse curso no periódico do Arquivo Médico Brasileiro. Nesse periódico tratou de diversos assuntos, dentre eles o fenômeno da anestesia pela eterização (método anestésico caracterizado pela inalação de uma mistura de ar e vapor de éter). “A primeira anestesia geral pelo éter foi praticada no Hospital Militar do Rio de Janeiro pelo médico Roberto Jorge Haddock Lobo, em 25 de maio de 1847. Uma semana após foi utilizada por Domingos Marinho de Azevedo Americano em dois soldados, tendo sido anestesista o médico Leslie Castro, recém-chegado da Europa e que trouxe o anestésico e o aparelho de eterização”.

Fonte: PRIMÓRDIOS DA ANESTESIA GERAL NO BRASIL – Orlando Sattamin-Duarte. Doutor Domingos Marinho de Azevedo Americano foi major-médico (2º médico) do Hospital Militar da Guarnição da Côrte [sic).

Fonte: ARCHIVO MEDICO BRASILEIRO. Gazeta Mensal- 1844-1845.

Juntamente com Francisco de Paula Cândido dirigiu a Nova Casa de Saúde do Rio de Janeiro e foi Membro do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro. Foi ainda, agraciado como Cavaleiro da Ordem de Cristo. Era membro de várias associações científicas, como o Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro e a Academia Imperial de Medicina . Nesta última, obteve o diploma de Membro Efetivo, em 28 de maio de 1846, com a apresentação de uma memória sobre o Hospital Militar da Guarnição da Côrte. Foi um dos redatores dos Annaes de Medicina Brasiliense, periódico da Academia Imperial de Medicina, publicados sob esta denominação em 1845.

Fonte: ARCHIVO MEDICO BRASILEIRO. Gazeta Mensal- 1848

Fonte: ARCHIVO MEDICO BRASILEIRO.

Gazeta Mensal- 1848. Doutor Domingos Marinho de Azevedo Americano é Membro Titular da Academia Nacional de Medicina ocupando a Cadeira Número 64. Foi eleito e empossado em 04 de junho de 1846 na presidência de Joaquim Candido Soares de Meirelles. Seu óbito se deu em 09 de junho de 1851, em São Caetano do Paraopeba, vítima de doença pulmonar.

Fonte: PRIMÓRDIOS DA ANESTESIA GERAL NO BRASIL – Orlando Sattamin-Duarte.

Trabalhos publicados por Doutor Domingos Marinho de Azevedo Americano

– “Dissertação sobre a phrenologia: these apresentada e sustentada perante a faculdade de medicina do Rio de Janeiro a 15 de dezembro de 1838”. Rio de Janeiro, 1838. Tese (Doutoramento) – Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro, 1838.

– “Dissertação inaugural sobre a lithotricia”. Rio de Janeiro, 1839. Tese (Concurso ao lugar de lente substituto da seção cirúrgica) – Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro, 1839.

– “Historia da escutação: lição feita a 15 de setembro de 1844”. Archivo Medico Brazileiro, tomo 1º, p.77-84, 1844.

– “Memoria sobre o estado actual das instituições médicas em França, na Prussia e na Gran- Bretanha”. Rio de Janeiro: Tip. Nacional, 1845.

 – “Lições geographico-meteorologicas, feitas em seu curso particular de molestias do peito”. Archivo Medico Brazileiro, tomo 2º, p.37, 63, e 105; tomo 3º, p.14, 1846.

 – “Exposição e observações sobre o estado actual do hospital militar, suas precisões e população em 1845”. Rio de Janeiro: Paula Brito,1846.

– “Academia Imperial de Medicina. Discurso recitado na sessão solemne de 6 de novembro de 1848”. Rio de Janeiro: Tip. do Brasil, de J. J. da Rocha, 1848.

– “Relatorio annual dos doentes tratados durante o anno de 1848, pelo Dr. Domingos Marinho de Azevedo Americano”. Rio de Janeiro: Tip. do Brasil, de J. J. da Rocha, 1849.

Por Luiz Otávio da Silva – Pesquisado