Lafaietense participa do Concurso Intérprete de Libras Musical

A lafaietense Luana Dias, tradutora/intérprete do par linguístico português/libras, servidora efetiva no Instituto Federal de Minas Gerais (IFMG) – Campus Ouro Preto está participando do Concurso Intérprete de Libras Musical que é um projeto realizado com recursos da Lei Municipal de Incentivo à Cultura de Belo Horizonte.

Luana é graduada em Letras Libras pela Universidade Federação de Santa Catarina e pesquisadora sobre figuras de linguagem sonora em libras. Iniciou os estudos na área de Língua Brasileira de Sinais em 2010. Na etapa online do concurso foram selecionados 18 participantes para votação popular no youtube através de curtidas nos vídeos dos candidatos para escolha dos 12 mais curtidos que passariam para a etapa presencial.

O processo de escolha da música não foi muito fácil. Existe uma relação de músicas que podem ser utilizadas do concurso, por questão de direitos autorais. “Eu estava diante de uma lista de músicas das quais não tinha muita familiaridade, mas quando eu ouvi a música “Aquele Muleke” de autoria do MC Jefinho tudo ficou mais fácil! Além de ter a batida boa do funk, me identifiquei com a letra que trás uma mensagem linda, sobre seguir o seu sonho mesmo que muitos não acreditem no seu potencial. Quem conhece a minha trajetória sabe que produzir arte em Libras é o meu sonho e tenho focado nisso”, relatou.

A lafaietense foi selecionada para a próxima fase e isso a coloca diante de um desafio ainda maior de ter que preparar a apresentação ao vivo de mais três músicas, representando a cidade no evento presencial que ocorrerá no dia 21/05, a partir das 19 horas na sede da Associação dos Surdos de Minas Gerais localizada na rua Elisa Felippeto Ricaldoni, 90, bairro Castelo, em Belo Horizonte. O evento, e será transmitido também via live no YouTube e estará aberta a votação do público presente e também do online. O link para retida de ingressos gratuitos será disponibilizado pela organização do evento através das redes sociais.

Profissionais de outros estados também estão participando do concurso o que proporciona uma grande oportunidade de visibilidade para as manifestações artísticas em língua de sinais. Vivemos em um país oficialmente monolíngue, onde poucas pessoas possuem fluência em Libras (Língua Brasileira de Sinais). Além da fluência, para produzir uma versão musical em outra língua é necessário inspiração e musicalidade.

“A Libras é uma língua pertencente a uma minoria que vem conquistando seu espaço graças a militância da comunidade surda. Se pensarmos que, diferente das outras minorias linguísticas, o surdo geralmente não nasce só. 95% dos surdos são filhos de pais ouvintes e que geralmente sofrem a privação de aquisição linguística na idade correta, imagina o tamanho desse prejuízo. Se levarmos em conta que tudo que fazemos, nossas crenças, nossos costumes. Enfim, até os nossos pensamentos e as relações humanas se fazem através da língua, do nosso idioma. Esse concurso não é apenas de interpretar música, mas sim de produzir através da libras e do lúdico a música para quem não ouve. Imagina qual a importância disso senão o descortinar de todo o mundo”, concluiu Luana.

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