Famílias Meireles e Salgado escrevem novo marco na história da Viola de Queluz ao construir o instrumento símbolo de Lafaiete

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A história da Viola de Queluz ganhou um capítulo que muitos nem sabiam que era possível. Foi apresentada no Espaço Cultural José Robert, no bairro Chapada, a primeira Viola de Queluz, o instrumento símbolo da cidade fabricada em conjunto pelas famílias Meireles e Salgado — um feito inédito na trajetória de duas das linhagens mais respeitadas da luteria local.

Reinaldo Meireles e Valter Salgado.

Reza a tradição popular que as duas famílias teriam sido no passado, rivais na arte de construir violas; o encontro de Reinaldo José Meireles e Valter Salgado numa só bancada de trabalho é portanto, a prova viva de que essa história pode — e deve — ser reescrita. A arte de fazer a Viola de Queluz é reconhecida como Patrimônio Cultural Imaterial de Conselheiro Lafaiete. É um saber que resistiu ao tempo justamente porque famílias como a Meireles e a Salgado se recusaram a deixá-lo morrer — e é esse mesmo compromisso que agora ganha um capítulo novo: pela primeira vez, as duas tradições se encontram dentro de um único instrumento.

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Esse marco não teria acontecido sem o projeto “Viola e Violeiros de Queluz”, que atua na transmissão do saber-fazer da viola a uma nova geração de luthiers e violeiros na cidade. Nesse processo, merece destaque o papel do luthier Reginaldo de Santana dos Montes, cuja contribuição tem sido importante para a transmissão desses saberes dentro do projeto. A viola fabricada por Reinaldo José Meireles e Valter Salgado é mais uma prova concreta de que o projeto vem cumprindo seu propósito: preservar a memória da Viola de Queluz e manter viva a cadeia de transmissão que a sustenta.

A peça identificada como número 001/2026, foi apresentada publicamente e contou com a presença da historiadora e professora Mauricéia Maia e do presidente do Conselho Municipal de Patrimônio (Comphap), Luiz Otávio da Silva, além de diversos amigos, familiares e amantes da cultura das duas famílias, que prestigiaram o encontro. Para Reinaldo José Meireles, idealizador e coordenador do projeto “Viola e Violeiros de Queluz”, o momento reforça a urgência de se pensar no futuro dessa iniciativa. “É fundamental valorizarmos esse projeto e garantirmos sua viabilidade para que essa transmissão de saberes continue acontecendo. São os encontros com os violeiros, com os familiares das violas, com os alunos e com outros grupos culturais que utilizam o espaço cultural que dão sentido a tudo isso. Vamos continuar na preservação do nosso patrimônio”, afirma.

Após a apresentação, a viola seguiu para Governador Valadares, onde foi presenteada ao irmão de Valter “Valtinho” Salgado por ocasião de seu aniversário. Mais do que um instrumento musical, a viola apresentada em Conselheiro Lafaiete simboliza a continuidade de um patrimônio que só sobrevive quando é ensinado, compartilhado e reinventado. A união das famílias Meireles e Salgado reforça que a preservação da Viola de Queluz não depende apenas da memória de cada família isoladamente, mas da disposição de somar histórias e formar novos guardiões dessa arte — e é esse gesto que a comunidade celebra como um mais um marco importantes da trajetória do instrumento símbolo de Conselheiro Lafaiete.

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