Há 100 anos nascia monsenhor Hermenegildo Adami de Carvalho

Há 100 anos, nascia monsenhor Hermenegildo Adami de Carvalho, grande benfeitor do Santuário Arquidiocesano do Sagrado Coração de Jesus, atual Basílica, em Conselheiro Lafaiete. Natural de Careaçu-MG, o menino Hermenegildo nasceu no dia 12 de fevereiro de 1920.

Foi ordenado padre 17 de dezembro de 1944, na Matriz Nossa Senhora da Conceição de Conselheiro Lafaiete pelo bispo de Valença, Dom Rodolfo das Mercês de Oliveira Penna. Em 02 de fevereiro de 1947, o padre Hermenegildo Adami de Carvalho tomou posse como pároco da Paróquia de Nossa Senhora da Conceição em Piranga. O padre provocou grandes transformações na estrutura da paróquia. Foi responsável pela construção do Salão Paroquial inaugurado em 1951 e considerado um marco na cultura da cidade já que no espaço eram exibidos filmes por meio de um moderno equipamento de origem alemã. À época o padre também foi responsável por realizar as modificações da Casa Paroquial.

Além disso, o padre Hermenegildo estruturou a gráfica paroquial e fundou o jornal A Estrela da Manhã que circulava mensalmente na cidade. A construção do prédio do Ginásio Leão XIII também teve ação direta do padre que participou da vida estudantil da cidade.

O primeiro pároco do Santuário

Em 1º de janeiro de 1965, o padre Hermenegildo foi nomeado pelo então arcebispo de Mariana, Dom Oscar de Oliveira, como o primeiro pároco da Paróquia do Sagrado Coração de Jesus, em Conselheiro Lafaiete. No dia 02 de junho de 1967, o padre presidiu a primeira Entronização do Sagrado Coração de Jesus e Maria nos lares e que foi transmitida pelas ondas da Rádio Carijós.

Desde então, anualmente, na Solenidade do Sagrado Coração de Jesus, sempre se renova a consagração das famílias. Com o passar dos anos, o ato religioso se transformou na maior manifestação de fé do povo de Conselheiro Lafaiete. Atualmente a Entronização é transmitida pela Rádio Queluz FM, 99.5. A Oração do Meio Dia foi um dos programas de maior audiência da Rádio Carijós apresentado diariamente pelo padre até os seus últimos dias de vida. 

No dia 12 de fevereiro de 1968, a antiga Capela de Nossa Senhora da Paz foi demolida para dar lugar ao Santuário. Em 1975, ano em que foi inaugurado do Santuário Arquidiocesano do Sagrado Coração de Jesus, o padre Hermenegildo recebeu o titulo de monsenhor. Com a benção do pároco, monsenhor Hermenegildo, em fevereiro de 1985, foi inaugurado o Centro de Pastoral da Paróquia do Sagrado Coração de Jesus. Monsenhor Hermenegildo também foi responsável pela construção da nova Capela de Nossa Senhora da Paz em uma área doada pelo senhor José Resende. No dia 02 de agosto de 1987, foi inaugurada a Capela de Nossa Senhora da Paz, no bairro Resende com a benção de Dom Oscar de Oliveira.

O padre João Batista Gomes Neto e Monsenhor Hermenegildo ao lado de Dom Oscar de Oliveira.

No dia 13 de maio de 1991, o então arcebispo de Mariana, Dom Luciano Pedro Mendes de Almeida nomeou monsenhor Hermenegildo como reitor do Santuário Arquidiocesano do Sagrado Coração de Jesus e diretor geral do Apostolado da Oração na Arquidiocese de Mariana. Ainda em Conselheiro Lafaiete, monsenhor Hermenegildo foi professor de ensino religioso por muitos anos na Escola Estadual “Narciso de Queirós”.

Monsenhor Hermenegildo e Dom Oscar de Oliveira.

Tendo como sonho a elevação do Santuário a condição de Basílica, monsenhor Hermengildo iniciou a obra de revestimento externo da igreja que foi concluída após a sua morte.

Basílica do Sagrado Coração de Jesus.

A morte que chocou Lafaiete em 1994

Paola Carvalho Potenza, sobrinha de monsenhor Hermenegildo, contou como foram os últimos dias de vida do padre. Era uma sexta-feira, quando ele passou mal, vomitou e se queixou de dores no peito com dona Geni Sanna que imediatamente ligou para Maria Tereza de Carvalho Potenza, irmã de monsenhor Hermenegildo. “Esta o aconselhou a procurar imediatamente o médico, mas ele não o fez, pois disse que era final de semana e não podia se afastar da paróquia. Tinha muitas missas para celebrar. Ficou passando mal, subindo e descendo escadas da casa paroquial, atendendo a todos”, relatou a sobrinha.

Paola Potenza, sobrinha de monsenhor Hermenegildo.

Na segunda-feira pela manhã o padre foi à Belo Horizonte com um motorista dirigindo seu carro. “Quando chegou à nossa casa estava amarelo, barba por fazer e muito cansado. Eu, como médica, conversando com ele, logo diagnostiquei o infarto e não falei nada com ele . Pediu um café, suava muito e o levei imediatamente ao Hospital Madre Teresa. Ao fazer o eletrocardiograma, meu colega o internou no CTI, caso gravíssimo, pois tinha rompido a parte interna do coração, lado direito e esquerdo, misturando o sangue bom com o sangue ruim. Outro colega disse que tentariam colocar um balão para tentar reverter o quadro, mas não era garantido. Alí já estávamos  todos da família sabendo que íamos perdê-lo. Foi entubado. Dom Luciano Mendes de Almeida passou a terça-feira toda com ele e com a família no hospital, deu-lhe a absolvição e a unção dos enfermos. Recomendou-me que lhe mantivesse informado”, contou Paola Potenza que acompanhou os dias de internação do padre no hospital.

Se não bastassem os dias de angustia que a família viveu no período de internação, o pior ainda estaria por vir, mesmo com todos preparados para receber a noticia que ia chocar a cidade de Conselheiro Lafaiete. Na quarta-feira, 06 de julho, de 1994, o coração de monsenhor Hermenegildo parou de bater.

Conta Paola Potenza que dona Geni Sanna informou a família que o padre gostaria de ser sepultando dentro do Santuário do Sagrado Coração de Jesus. O pedido havia sido feito quatro meses antes de sua morte quando fez uma cirurgia para retirar a vesícula. “Imediatamente liguei para Dom Luciano e dei-lhe a triste notícia. Falei dessa vontade de ser sepultado no santuário. D. Luciano prontamente disse que iria para Lafaiete escolher dentro do santuário o local e aguardar o corpo. No meio da viagem para Lafaiete, o carro funerário e atrás a família. Encontramos com batedores da polícia que foram com sirenes ligadas até o santuário. Por onde passava o carro, os comerciantes acenavam e baixavam as portas, chorando. Para nós da família foi um conforto muito grande ao sentir o quanto ele era amado por todos. Um dos dias mais tristes da minha vida”, comentou emocionada Paola Potenza.

Monsenhor Hermenagildo, foi velado no Santuário do Sagrado Coração de Jesus no mesmo dia de sua morte. Escolas e várias instituições fecharam as portas em sinal de luto. A cidade parou para prestar as últimas homenagens ao homem que construiu o santuário e propagou a devoção ao Sagrado Coração de Jesus e Maria na região. O padre também instituiu em 1967, a Entronização dos Sagrados Corações de Jesus e Maria nos Lares que á época era transmitida pela Rádio Carijós. O ato religioso se transformou em uma das maiores manifestações de fé do povo lafaietense e atualmente a Rádio Queluz FM é a geradora da transmissão que também é levada ao ar por quase 20 emissoras. 

No inicio da noite, com o santuário lotado de fiéis, padres e com a presença de Dom Luciano Mendes de Almeida, o corpo de monsenhor Hermenagildo foi sepultado dentro da igreja. Em seu túmulo foi colocada uma placa onde está escrito um trecho da segunda carta de São Paulo a Timóteo: “Combati o meu combate acabei a minha carreira e Guardei a Fé”. E na mesma placa abaixo também diz: “Meu Coração desfaleceu de amor ao Sagrado Coração de Jesus”.

“Penso que o maior legado deixado por ele foi sua vida exemplar como padre, o zelo para com os paroquianos, seu amor profundo ao Sagrado Coração de Jesus e Maria e também a construção da basílica. Que ele lá junto de Deus e Maria Santíssima interceda por todos nós”, comentou Paola Potenza.

Em família e fatos marcantes

Paola Potenza contou que monsenhor Hermenegildo era em família, uma pessoa alegre, brincalhão. “Era extremamente zeloso com todos, principalmente na dinâmica familiar e na parte religiosa. Sempre pronto para ajudar na solução de problemas. Um verdadeiro pai e pastor.

Segundo ela, dois fatos marcaram muito a vida dele. Um deles foi quando Dom Oscar de Oliveira o mandou a Roma para representar a Arquidiocese de Mariana num congresso. “Ele nunca se afastava da paróquia, suas férias eram segunda, terça e quarta-feira uma vez ao ano, na nossa casa junto aos meus pais”, contou.

Mas o padre foi a Roma, passeou lá e visitou a cidade italiana de Lanciano, carregou a ostensório onde fica a Sagrada Comunhão que se liquefaz todos os anos em sangue de Cristo. “Ele nos contou que rezou e chorou muito”, disse.

Outro fato que marcou a vida de monsenhor Hermenegildo segundo a sobrinha, foi quando ele sofreu um acidente no trevo de entrada de Conselheiro Lafaiete. Estava chovendo muito e ele ia atravessar a estrada, não viu o carro e este bateu no que ele dirigia. “Ficou por muito tempo com cacos de vidro saindo de sua cabeça”, revela Paola.

Lançamento de livro

Para marcar a data do centenário de monsenhor Hermenegildo Adami de Carvalho, a Paróquia do Sagrado Coração de Jesus irá lançar um livro com reflexões de autoria do ex-pároco, intitulado “Entronizações nos Lares”. A obra reúne orações escritas por monsenhor Hermenegildo para o ato da Entronização dos Sagrados Corações de Jesus e Maria nos Lares.

O livro será lançado, nesta quarta-feira, 12/02, às 19h, com a santa missa, na Basílica do Sagrado Coração de Jesus.

Serviço

Centenário de Monsenhor Hermenegildo Adami de Carvalho

Lançamento do livro – “Entronizações nos Lares”

Data: 12 de fevereiro

Local: Basílica do Sagrado Coração de Jesus

Hora: 19h

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