Enquanto o coração humano não muda, o vírus cria mutações

Há mais de um ano de enfrentamento à pandemia da Covid-19, aprendemos muito ou quase nada. Para quem respeita as medidas sanitárias, certamente passou a dar mais valor ao ar que respiramos, à família, aos amigos e aos gestos que nestes tempos de isolamento social têm nos feito falta como um contato mais próximo, um simples aperto de mão, um abraço e um beijo.

O isolamento social provocou mudanças radicais nas relações humanas, mas para quem não admite a gravidade da pandemia, principalmente no Brasil e até mesmo na nossa cidade, as mortes e o alto índice de transmissão da doença não são capazes de comover e abrir os olhos para a realidade trágica que estamos vivenciando todos os dias. Não há compaixão pela perda de um amigo, um vizinho ou até mesmo um parente. Aliás, a Covid-19 está banalizando a morte cada vez mais, nos tirando o direito sagrado da despedida de quem foi vítima da doença. Até o luto passou a ser guardado em isolamento sem o abraço de conforto das pessoas próximas.

O coração de quem nega a gravidade da pandemia parece estar num corpo sem alma. Tal coração não tem empatia e nem pode ser comparado a uma pedra. Isso porque até uma pedra pode ser usada para construir alguma coisa. Já o coração sem alma não é capaz de sentir compaixão por tantas vidas e sonhos destruídos pelo vírus. Também não é capaz de proteger quem ama e até a si mesmo.

Quem nega a pandemia também é capaz de espalhar fake news para tentar nos convencer com fatos sem fundamentos que só prejudicam ainda mais as ações de combate ao coronavírus. A pior parte deste roteiro é que o vírus vai ganhando mutações mais transmissíveis e mortais. Até em Conselheiro Lafaiete, a variante de Manaus já chegou. Já o coração humano ainda precisa passar por mutações. Vejo neste momento que o desapego pela vida é sem dúvida o maior pecado da atualidade, pois a nossa existência é o maior presente que Deus nos deu.

Até a próxima!

Por jornalista José Carlos Vieira