No ano em que comemora o aniversário de 50 anos de fundação, a Unidos da Matriz retornou aos desfiles de escola de samba de Congonhas e levantou o nono troféu com o enredo “Pela Primeira Vez” de novo: A Matriz Canta sua História. Em 2026, além da vencedora, desfilaram no Circuito Manoel Corrêa Evangelista (nome que a av. Marechal Floriano Peixoto passa a receber durante a festa carnavalesca) as também debutantes nesta nova etapa, Império Praiano e Mocidade Independente; a Casa Imperial da Rosa, responsável pela volta dos desfiles em 2023; além da Acadêmicos da Jabuca, que voltou para a avenida há 3 anos.

Enquanto a Prefeitura cuidou da infraestrutura da festa, a Liga Independente das Escolas de Samba de Congonhas (Liesc) ficou responsável pela direção técnica dos desfiles, sonorização e organização do campeonato.Após os desfiles realizados na sexta-feira (Jacuba e Império Praiano) e no sábado (Matriz, Casa Imperial da Rosa e Mocidade Independente), a apuração ocorreu nesta Quarta-feira de Cinzas (18/02), no Poliesportivo Central, na Praia, que recebeu as torcidas das cinco agremiações e quase lotação máxima. Em seguida, a Matriz festejou no ginásio poliesportivo do bairro.

Os 27 julgadores avaliaram nove quesitos: bateria, samba-enredo, harmonia, evolução, enredo, alegorias e adereços, fantasias, comissão de frente e mestre-sala e porta-bandeira.
Resultado final

1º Unidos da Matriz: 179,8
2º Mocidade Independente: 179,0
3º Casa Imperial da Rosa: 178,8
4º Império Praiano: 177,5
5º Acadêmicos da Jacuba: 176,5
No carnaval de 2026, a Unidos da Matriz retornou à avenida para narrar a própria trajetória no enredo: “Pela primeira vez” de novo: a Matriz conta a sua História. Após 31 anos afastada dos desfiles, a escola transformou sua memória em enredo e fez do retorno um gesto simbólico de reencontro com a cidade de Congonhas. O desfile percorreu o nascimento da agremiação ao lado da Igreja Matriz, revisitou carnavais marcantes, homenageando personagens fundamentais da cultura local e nacional e culminando no renascimento do Carnaval congonhense. A narrativa não tratou o passado como saudade imóvel, mas como força viva que atravessa o tempo. A Matriz retorna porque nunca deixou de existir na fé, no samba e na identidade do seu povo.

Depois de 31 anos sem desfiles de escolas de samba em Congonhas, Nilo Sério não imaginava voltar como presidente, já que sempre foi compositor de samba-enredo e ainda levantou o troféu. “A Matriz batalhou para entregar à comunidade um grande Carnaval e a consequência do nosso trabalho foi todo o reconhecimento que obtivemos de nossa comunidade e de toda a cidade. Quero reconhecer também a grandiosidade de todas as outras escolas, que estão de parabéns pelo Carnaval tão brilhante quanto o nosso. Mas nos detalhes, ganhamos, como acontece no futebol. Quem erra menos é campeão. O diferencial foi a comunidade, os voluntários abraçarem a escola, que mostrou que sua história está não morreu. Este foi o nosso diferencial”, completa o cartola campeão, que completa dizendo que já existe uma série de possibilidades de enredo para o ano que vem e que até o final de maio ele será definido.

Outro compositor do samba-enredo nota 10 e patrono da escola, Eduardo Matosinhos, diz que “no meio da apuração, o coração já acelerou, porque sabíamos que somos fortes em fantasia, mestre-sala e porta-bandeira [quesitos que ainda seriam apurados]. Mas para comemorar, tínhamos de esperar até termos a diferença suficiente. Fica claro que a régua subiu muito, o nível é disso pra cima agora, parabéns a todas as escolas, uma tem de ser campeã”.
Nayara Santos, rainha da bateria sentiu a emoção de ser campeã dos desfiles de Congonhas pela primeira vez. “No ano em que a Matriz comemora seu aniversário, seu retorno e podermos sair campeões, é muito honroso. Foi muito lindo o nosso desfile, todo mundo vibrando, sentimos a força de todo mundo. Independentemente do resultado, somos todos vitoriosos. Nosso desfile foi a nossa gente que fez, todas as alegorias, tudo foi nosso povo. O reconhecimento da Liga e de toda a comunidade de Congonhas significa que o trabalho valeu a pena e que está dando certo, honrando o que é nosso”.
Mestre da bateria nota 10 da Unidos da Matriz, Guilherme Bittencourt (Maradona), pôde experimentar de perto algo sobre o que só ouvia falar. “Antes de tudo preciso agradecer também aos mestres Gelado e Harley, porque nós três fizemos de tudo para que esta nota 10 da bateria viesse juntamente com os ritmistas. Eu amo Carnaval e me sinto honrado de vivenciar esta volta dos desfiles. Antes eu só escutava de minha mãe e dos meus tios o que havia ocorrido há mais de 30 atrás. Mas tudo voltou.

Maradona atribui a vitória à comunidade, que se desdobrou, inclusive para formar a bateria. “Teve ritmista que no começo do processo não sabia segurar uma baqueta, um instrumento, eles acreditaram no processo e fomos coroados. Não só a bateria, mas toda a escola está de parabéns”.
Coirmãs também avaliam o campeonato
Para o presidente da Mocidade Independente, Marcus Vinicius Souza Bastos (Quim), o balanço da volta aos desfiles é positivo para a agremiação. “A gente não tinha um alfinete e construímos tudo, todo mundo trabalhou, pessoas voluntárias e Diretoria.Agradeço a todo mundo. Estamos satisfeitos com o resultado de um trabalho com muita dificuldade, mas bem-feito para chegarmos na posição que chegamos. Pelas justificativas dos jurados, vamos ver onde erramos para corrigir para o ano que vem”.
Thiago Freitas, presidente da Casa Imperial da Rosa, manifestou sua felicidade pela concretização de um projeto. “Temos novas escolas, a Matriz ganhou, a Mocidade ficou em 2º lugar e a Casa Imperial da Rosa ficou em 3º lugar. Eu não fiz um Carnaval pra ganhar, foi pra marcar história novamente no coração das pessoas. Merecíamos o título, mas é hora de aprendermos que escola de samba é escola, aprendizado, então aprendemos. Não tivemos nenhum apoio de mestre de fora de Congonhas, é uma escola genuinamente congonhense. Posso dizer isso porque o Leonardo Bessa [intérprete carioca] está há 3 anos aqui em Congonhas, cantando o nosso samba-enredo. Para 2027, já temos enredo e vamos embora trabalhar!”.
Amarildo Ribeiro, presidente do Império Praiano, diz que “agora pós-Carnaval vamos ver o que teve de bom e o que não foi tão bom assim. Para 2027, precisamos de mais apoio da comunidade, fazer um bom Carnaval e vir para as pontas [do campeonato]”.
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