Todos os anos, durante o Jubileu do Senhor Bom Jesus de Matosinhos, a cidade recebe milhares de romeiros vindos de diversas partes do Brasil. A fé movimenta hotéis, restaurantes, o comércio, as ruas e transforma Congonhas em um dos principais destinos do turismo religioso do país. Agora, uma pergunta começa a ganhar força: e se parte dessa viagem pudesse voltar a ser feita pelos trilhos?

É essa a proposta do Expresso Bom Jesus, um trem turístico e comemorativo que pretende ligar Lafaiete a Congonhas durante o Jubileu. Ainda não há autorização para a operação, nem recursos definidos ou data para o primeiro embarque. O que existe é uma proposta que começa a reunir lideranças, especialistas e instituições em torno de um objetivo comum. Esse será o tema da reunião pública marcada para o dia 3 de agosto, às 9 horas, na Câmara Municipal de Congonhas.
Foram convidados vereadores, representantes das Prefeituras e das Câmaras Municipais de Lafaiete e Congonhas, além de especialistas, entidades ferroviárias e representantes da Frente Ferroviária, do Movimento pela Volta do Trem de Passageiros na Região Metropolitana de Belo Horizonte e Entorno e do Movimento Nacional Amigos do Trem, organizações que há anos defendem a ampliação do transporte ferroviário de passageiros no Brasil.
O deputado federal Glaycon Franco acompanha a iniciativa desde as primeiras conversas. Ainda como deputado estadual, integrou a Comissão Extraordinária Pró-Ferrovias da Assembleia Legislativa de Minas Gerais, onde participou de audiências públicas, visitas técnicas e debates sobre o futuro da malha ferroviária mineira. “Na Comissão Pró-Ferrovias eu compreendi que Minas não pode olhar para os trilhos apenas como corredores de carga. Eles também podem gerar turismo, movimentar a economia e aproximar pessoas. Foi ali que passei a defender que voltássemos a discutir o transporte ferroviário de passageiros.”
Segundo Glaycon, a proposta nunca teve a intenção de nascer como um projeto acabado. “Boas ideias não são impostas. Elas são construídas. O Expresso Bom Jesus começou como uma conversa e hoje já reúne técnicos, lideranças, gestores públicos e entidades ferroviárias. Esse é o caminho certo.”
A proposta ganhou novos parceiros, passou a ser discutida entre as administrações municipais e recebeu um estudo técnico elaborado pelo engenheiro ferroviário André Tenuta, especialista em transporte ferroviário. O projeto prevê uma operação turística utilizando aproximadamente 35,5 quilômetros da malha ferroviária existente entre Congonhas, Lafaiete e Buarque de Macedo, além da recuperação de antigos carros de passageiros para formar as composições.
Para o deputado, o maior impacto do Expresso Bom Jesus poderá ser econômico. “Um trem turístico não vende apenas passagens. Ele movimenta hotéis, restaurantes, cafeterias, artesãos, guias de turismo, motoristas, pequenos comerciantes e prestadores de serviço. Cada passageiro que desembarca gera oportunidades para muitas pessoas.”
O estudo técnico considera que o Jubileu reúne entre 100 mil e 150 mil visitantes e projeta uma operação inicial com capacidade para até 1.300 passageiros por dia. “Congonhas já é um dos maiores destinos de fé do Brasil. O que estamos propondo é que a viagem também se torne uma experiência. Em vários países, o trem é parte do atrativo turístico. Não há razão para Minas deixar de discutir essa possibilidade.”
Glaycon acredita que o sucesso da proposta dependerá da união de diferentes setores. “Não é um projeto de um deputado, de um prefeito ou de uma Câmara Municipal. É um projeto que precisa da participação das cidades, das entidades ferroviárias, da concessionária, dos governos e da sociedade. Se cada um fizer a sua parte, teremos muito mais chances de sucesso.”
Ainda será necessário superar etapas técnicas, jurídicas, operacionais e financeiras antes que o primeiro trem possa circular. “Esta reunião não vai colocar o Expresso Bom Jesus nos trilhos. Mas pode fazer algo igualmente importante: colocar pessoas competentes na mesma direção. É assim que projetos que parecem difíceis começam a se tornar possíveis.”
A reunião pública do dia 3 de agosto não representa uma decisão definitiva. Ela será o primeiro grande momento de discussão regional sobre uma proposta que pretende unir turismo, ferrovia, desenvolvimento econômico e a maior manifestação de fé de Minas Gerais.
















