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quarta-feira, 27 maio , 2026
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Discurso contra Lei Maria da Penha provoca revolta e leva Câmara de Lafaiete a acionar a PM

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O que inicialmente seria uma fala sobre princípios, valores, família tradicional e defesa dos bons costumes acabou se transformando em um dos episódios mais tensos e controversos recentes da Câmara Municipal de Conselheiro Lafaiete. Convidado para utilizar a Tribuna Popular durante a 30ª Sessão Ordinária, realizada na noite desta terça-feira, dia 26 de maio, o missionário e radialista Juliander Dias Barbosa, da Igreja Assembleia de Deus Missionários O Chamado da Salvação, iniciou seu pronunciamento defendendo valores familiares.

Polícia Militar esteve na Câmara Municipal.

No entanto, o discurso rapidamente mergulhou em críticas a vereadores, ataques à Prefeitura, comentários sobre o “caos” instalado na cidade, referências à escala de trabalho 6 por 1 e, por fim, declarações consideradas ofensivas contra mulheres e contra a Lei Maria da Penha. Em diversos momentos, Juliander exaltou o vereador Pastor Angelino, responsável pelo convite para uso da Tribuna Popular, afirmando que ele seria “o único preocupado em trabalhar” e em defender os “valores da família” dentro da Câmara.

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Enquanto poupava Angelino, o missionário criticava outros vereadores da Casa e afirmava que Conselheiro Lafaiete estaria vivendo um cenário de desordem em praticamente todas as áreas. O clima começou a sair do controle quando o pronunciamento entrou diretamente no tema da violência doméstica. Embora tenha afirmado ser contra agressões e defendido prisão para homens violentos, Juliander passou a sustentar que “leis só favorecem mulheres” e que homens inocentes estariam sendo perseguidos por falsas denúncias registradas em delegacias. “A delegada aceita o BO e já corre contra a pessoa”, afirmou.

Em outro momento, classificou a Lei Maria da Penha como “ultrapassada” e afirmou que a legislação estaria “pesando só para um lado”, prejudicando homens e famílias tradicionais. A situação ganhou contornos ainda mais delicados quando o missionário passou a ironizar o Botão do Pânico, mecanismo utilizado para proteção de mulheres vítimas de violência doméstica. “Vamos fazer um Botão do Pânico para os homens. Quando a mulher for bater no homem, você aperta o botão”, declarou.

As falas provocaram indignação imediata no plenário, reações entre vereadores, manifestações de revolta nos bastidores e forte repercussão nas redes sociais. Nem mesmo o debate nacional envolvendo a escala 6 por 1 ficou de fora do pronunciamento. Em meio a frases desconexas e críticas generalizadas, Juliander afirmou ainda que vereadores estariam aprovando projetos “contra a família tradicional”.

Diante do clima extremamente tenso e entendendo que houve falas generalizadas consideradas ofensivas contra mulheres, a Câmara Municipal acionou a Polícia Militar ainda durante a sessão. Um boletim de ocorrência acabou sendo registrado após os pronunciamentos, ainda durante a sessão.

A sessão terminou sob forte tensão política, indignação de parlamentares, revolta de parte do público presente e ampla repercussão nos bastidores da Câmara e nas redes sociais

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