Jornalista Carlos Egert divulga carta histórica de Princesa Isabel enviada ao Conselheiro Lafayette Rodrigues Pereira

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“Cada documento antigo é uma ponte entre Conselheiro Lafaiete e o Brasil Imperial”, afirma Carlos Egert

Escritor, internacionalista, jornalista, historiador e presidente do Diretório Monárquico do Brasil, Carlos Egert vem se destacando por unir pesquisa histórica, produção literária e preservação da memória nacional. Autor dos livros “Guia do Monarquista vol.1” e “Terceiro Reinado” pela editora Filos, ambos dedicados ao estudo da monarquia constitucional brasileira, ele também mantém um acervo particular de documentos, fotografias e peças originais do período imperial.

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O jornalista Carlos Egert.

Entre suas descobertas está uma rara carta manuscrita da Condessa Isabel, Princesa Isabel do Brasil, escrita em 11 de agosto de 1901 e endereçada ao Conselheiro Lafayette Rodrigues Pereira, personalidade que deu nome ao município de Conselheiro Lafaiete. Em entrevista ao jornalista José Carlos Vieira, do site de notícias Lafaiete Agora, Carlos fala sobre literatura, patrimônio histórico e a importância de preservar a memória da cidade.

José Carlos: Carlos, você é escritor, internacionalista, jornalista, historiador e também pesquisador da história do Brasil Imperial. Como surgiu essa paixão?

Carlos Egert: Sempre acreditei que conhecer a história é compreender quem somos. Minha formação em Relações Internacionais e Direito ampliou essa percepção, mas foi a pesquisa histórica que acabou se tornando uma verdadeira missão. Passei anos estudando documentos originais, correspondências, fotografias e arquivos do século XIX e início do XX. Quanto mais pesquisava, mais percebia que ainda existem capítulos da nossa história, pouco conhecidos e que merecem voltar ao conhecimento do público.

José Carlos: Você acaba de lançar dois livros bastante comentados. Poderia falar um pouco sobre eles?

Carlos Egert: Claro. O primeiro é o Guia do Monarquista, uma obra voltada tanto para quem deseja conhecer quanto para quem pretende aprofundar seus estudos sobre a monarquia constitucional. Nele procuro apresentar fundamentos históricos, filosóficos, jurídicos e políticos da instituição monárquica, sempre com linguagem acessível e baseada em bibliografia especializada.

Carta enviada ao Conselheiro Lafayette Rodrigues Pereira.

Já o segundo livro, Terceiro Reinado, publicado pela editora Filos, é um ensaio de teoria política. Nele proponho uma reflexão sobre estabilidade institucional, continuidade do Estado e o papel que uma monarquia constitucional parlamentar poderia desempenhar no Brasil contemporâneo. A obra busca discutir essas ideias sob uma perspectiva histórica e constitucional, sem nostalgia, mas como hipótese institucional para o século XXI.

José Carlos: Além dos livros, você possui um importante acervo histórico. O que faz parte dessa coleção?

Carlos Egert: Meu humilde acervo reúne documentos manuscritos, fotografias originais do século XIX, correspondências, peças relacionadas à Família Imperial Brasileira e diversos itens ligados ao Brasil Imperial. Cada documento representa uma pequena janela para um período extremamente rico da nossa história. Preservar esse material é, de certa forma, preservar parte da memória nacional.

José Carlos: Um dos itens mais impressionantes é justamente uma carta da Condessa Isabel, a Princesa Isabel do Brasil. Como ela chegou até você?

Carlos Egert: Foi uma descoberta extremamente emocionante e fornecida pelo excelentíssimo médico Dr. Antônio Lafayette, homem culto que faz jus ao antepassado. Trata-se de uma carta autógrafa escrita em 11 de agosto de 1901, em Chamonix, na França, poucos anos após o exílio da Família Imperial. O mais fascinante é seu destinatário: o Conselheiro Lafayette Rodrigues Pereira, estadista, jurista e diplomata brasileiro cujo nome batizou a cidade de Conselheiro Lafaiete.

Estamos falando de um documento que une diretamente a Princesa Isabel à personalidade que dá identidade histórica ao município mineiro. Isso torna a peça extremamente significativa não apenas para colecionadores, mas para toda a memória cultural de Conselheiro Lafaiete.

José Carlos: Qual é a importância histórica desse documento para a cidade?

Carlos Egert: Enorme. Muitas cidades possuem personagens históricos que acabam conhecidos apenas pelo nome de uma avenida ou do município. Pouquíssimas têm a oportunidade de associar esse personagem a uma correspondência manuscrita da própria Princesa Isabel.

Essa carta materializa uma relação entre duas figuras centrais da história brasileira. É um documento que poderia perfeitamente integrar exposições, projetos educacionais e iniciativas culturais voltadas à valorização da história local.

José Carlos: Você acredita que documentos assim ajudam a aproximar as pessoas da História?

Carlos Egert: Sem dúvida. Um livro conta a história. Um documento faz o leitor sentir que está diante dela. Quando alguém observa uma carta escrita há mais de um século, percebe a caligrafia, a tinta, o papel, a assinatura… aquilo deixa de ser apenas um acontecimento narrado e passa a ser uma experiência quase física. É impossível permanecer indiferente.

José Carlos: Você pretende ampliar esse trabalho de pesquisa?

Carlos Egert: Sim. Tenho diversos projetos em andamento. Continuo pesquisando novos documentos históricos, produzindo livros e trabalhando para ampliar meu acervo. Meu objetivo é contribuir para que a história do Brasil Imperial seja conhecida de forma cada vez mais séria, acessível e baseada em documentação original.

José Carlos: Para encerrarmos, qual mensagem você gostaria de deixar aos leitores do Lafaiete Agora?

Carlos Egert: Gostaria de convidar todos a olharem para a história da própria cidade com curiosidade. Conselheiro Lafaiete carrega, no próprio nome, uma ligação direta com um dos grandes estadistas brasileiros. Descobrir documentos, preservar memórias e estudar esse passado não significa viver dele, mas compreender melhor o caminho que nos trouxe até aqui.

Se meus livros despertarem em alguém a vontade de pesquisar, visitar um arquivo histórico ou simplesmente conhecer melhor a trajetória de personagens como o Conselheiro Lafayette Rodrigues Pereira e a Princesa Isabel, já terei alcançado um dos meus maiores objetivos como pesquisador e escritor.

Por jornalista José Carlos Vieira

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