Cineasta lafaietense fala sobre encontro com Fernanda Montenegro e destaca carreira em ascensão no Rio de Janeiro

Estar próximo de quem você busca inspiração para o trabalho que desenvolve não tem preço. Com uma carreira em ascensão, o cineasta lafaietense, Diego Alexandre, 27 anos, apaixonado por teatro e cinema teve recentemente um encontro especial que com certeza não sairá mais da sua memória.

O cineasta Diego Alexandre vive um momento especial na carreira.

Atualmente morando no Rio de Janeiro, onde está desenvolvendo vários trabalhos na área de cinema e TV, Diego teve um encontro com a atriz Fernanda Montenegro que completou 90 anos, na quarta-feira, 16/10. “Foi emocionante conhecer Fernanda durante o lançamento de sua biografia. Pude dizer a ela o quanto eu a admiro, já que o filme ‘Central do Brasil’ é um dos maiores responsáveis pela minha vontade de fazer cinema. Fico impressionado em ver como Fernanda Montenegro, no alto de seus 90 anos, é tão humilde, lúcida e à frente de seu tempo. Não é à toa que é nossa maior atriz”, relatou.

Diego Alexandre e a atriz Fernanda Montenegro.

A paixão pelo cinema e TV sempre fez parte da vida de Diego. “Já criança comecei a colecionar filmes, ainda no tempo das fitas VHS, um hábito que nunca consegui abandonar. Hoje me dia o meu quarto já não cabe mais tanto DVD, fora os livros e discos de vinil que também coleciono. A primeira vez que entrei em uma sala de cinema foi em 1999 para assistir “Tarzan”, da Disney. Foi no antigo Cine Lafaiete que acabou fechando pouco tempo depois. A cidade ficou um bom tempo sem cinema, até que foi inaugurado o Cine Glória em 2004. Eu o frequentava quase toda semana, ali assisti grandes sucessos do cinema brasileiro, o que aumentou ainda mais a minha vontade de trabalhar nessa área”, comenta.

Diego e Xuxa Meneghel.

Em 2006, quando Diego cursava a 8ª série na Escola Municipal “Professor Doriol Beato”, o cineasta lafaietense, Joffre Faria Silva que mora há muitos anos no Canadá, chegou a Conselheiro Lafaiete para filmar seu primeiro longa-metragem: “Impedimento”. Diego Alexandre contou que o cineasta queria rodar algumas cenas na escola. “Fiquei super empolgado e acabei pedindo para fazer uma ponta no filme. Joffre atendeu meu pedido e foi assim que eu soube da existência da Casa do Teatro, já que todo o elenco de “Impedimento” era composto por atores lafaietenses”, contou Diego.

Diego na peça “Morrer? Nem Morto!”, da Casa do Teatro.

Ao entrar na Casa do Teatro, Diego fez o curso de teatro com o Geraldo Lafayette e começou a atuar em espetáculos. Em 2010, o ator integrou o elenco da comédia “Morrer? Nem Morto!” e ganhou o prêmio de Melhor Ator Coadjuvante no FACE (Festival de Artes Cênicas de Conselheiro Lafaiete), considerado o maior festival de teatro amador de Minas Gerais. Embora ele gostasse de atuar, nunca quis ser ator profissional. A sua vontade sempre foi trabalhar como diretor de cinema. Tanto que volta e meia, fazia uns filmes amadores com amigos e familiares.

Em 2011, Diego mudou para São João Del Rei. Formou em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal de São João Del Rei. À época, não havia faculdade federal de Cinema em Minas, por isso ele não conseguiu fazer o curso que sempre quis. Mas, por outro lado, participou de várias oficinas nas mostras de cinema de Tiradentes e Ouro Preto, onde adquiriu conhecimento técnico da profissão de cineasta e teve a oportunidade de conhecer ídolos como Nelson Pereira dos Santos, o maior cineasta brasileiro, falecido no ano passado.

Diego também conheceu o diretor Luiz Carlos Lacerda, o Bigode, responsável por sucessos como “Leila Diniz” e “For All – O Trampolim da Vitória”. “Eu já conhecia o seu trabalho, e por isso me interessei em participar da oficina que ele ministrava. Por indicação do talentoso diretor de fotografia mineiro Alisson Prodlik, Bigode me convidou para estagiar no seu longa-metragem “Introdução à Música do Sangue”, filmado nas proximidades de Cataguases em 2014. Foi um trabalho muito divertido, pois fiquei hospedado durante 1 mês em uma linda fazenda, no qual equipe e elenco se tornaram uma verdadeira família. Ali convivi com atores como Ney Latorraca, Bete Mendes, Armando Babaioff e Greta Antoine”, relatou.

Com os cineastas Nelson Pereira dos Santos e Luiz Carlos Lacerda.

Segundo o cineasta, as oficinas que participou em festivais também foram muito importantes para que realizasse o seu primeiro curta-metragem, “Só Para Loucos”, gravado em 2013, na cidade de São Thomé das Letras. O documentário conta a história do músico hippie Ventania e foi selecionado para festivais no Espírito Santo, Tocantins e Ceará, onde competiu no 10º Curta Canoa – Festival de Cinema Latino Americano de Canoa Quebrada.

Gravação com com Fernanda Vasconcellos, André Arteche, Marcelo Cavalcanti e Ghilherme Lobo.

Em março, Diego se mudou para o Rio de Janeiro, onde fez um curso de Assistência de Direção com Hsu Chien, um dos assistentes mais requisitados do Brasil. Logo que chegou na cidade, ele começou a trabalhar na série “Rua do Sobe e Desce, Número Que Desaparece”, dirigida por Luiz Carlos Lacerda para o Canal Brasil, da Globosat. Além de 2º Assistente de Direção, Diego acabou fazendo uma pequena participação como um ator de teatro que interpreta Santos Dumont em uma peça.

Durante as filmagens, ele pôde conviver com atores como Fernanda Vasconcellos e André Arteche, de quem se tornou amigo, além de contracenar com a grande atriz Ilva Niño. Diego também fez assistência de direção em vídeos institucionais para o IBGE e um curta-metragem independente, “A Sombra da Luz”, de Marcelo Camara. Ainda na “Cidade Maravilhosa”, o lafaietense também tem feito trabalhos esporádicos na TV Globo como assistente de produção, participando da divulgação de vários programas como “Se Joga”, “Mestre do Sabor”, “Éramos Seis” e “Amor de Mãe”, a próxima novela das nove.

Com Greta Antoine, Bete Mendes, Ney Latorraca e Armando Babaioff.

Além disso, Diego escreve sobre cinema para o site Cine Set. Ao exercer o seu lado jornalista, ele tem frequentado cabines de imprensa, onde acompanha os lançamentos em primeira mão, além de pré-estreias quase sempre com participação dos diretores ou membros do elenco. Além do encontro com Fernanda Montenegro, Diego também esteve com Gloria Pires, sua atriz preferida.

Contracenando com Ilva Niño.

“A melhor parte de morar no Rio, além da cidade ser linda é poder estar sempre atualizado, já que por aqui existem inúmeras salas de cinema. Sentia muita falta disso quando morava em Lafaiete. Infelizmente, a programação da atual e única sala da cidade só contempla o público infantil e adolescente, com quase todos os filmes sendo blockbusters de ação e dublados. Uma decepção para os cinéfilos que esperaram tanto tempo pela volta do cinema. Por outro lado, Lafaiete tem um ótimo movimento teatral, e isso é um motivo de orgulho muito grande. Sinto falta da minha família e dos amigos, especialmente dos meus sobrinhos Bernardo e Artur, que são muito pequenos. Como nem sempre posso estar na cidade, fica difícil acompanhar o crescimento deles”, descreve Diego.

Diego ao lado da atriz Glória Pires.

Projetos pessoais

Recentemente, Diego terminou de escrever o seu primeiro roteiro de ficção e está buscando apoio para finalizar o novo documentário chamado “Clara Esperança” que começou a filmar em 2016. Com imagens captadas pelo amigo e cineasta lafaietense, Rodrigo Meireles, o filme vai retratar o trabalho social e cultural desenvolvido por Maria Gonçalves da Silva, irmã da cantora Clara Nunes, na cidade de Caetanópolis. Dona Mariquita, como era conhecida, lutou por mais de trinta anos pela preservação da memória da artista através da criação da Creche Clara Nunes e do Memorial Clara Nunes, onde Diego trabalhou como bolsista de extensão por dois anos.

“Por mais que estejamos passando por uma fase muito difícil, em que a área cultural vem sofrendo inúmeros ataques, é preciso resistir e continuar batalhando pela realização desses projetos artísticos. Porque, como diz a própria Fernanda Montenegro, “é na arte que o Brasil vai dar certo”, concluiu Diego.

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